EAD - Ensinar e Aprender a Distância

Cátia Schuh Weizenmann*


Nunca fui uma entusiasta do ensino remoto. Via com desconfiança a fatalidade dessa forma de ensino se aproximar, mas não pensei que seria tão rápido. Talvez tenha sido a emergência da implantação do sistema de aulas on-line que venceu (à força) minha resistência.


Em uma semana eu já tinha feito dois cursos e um treinamento. A técnica, outrora assustadora, não parecia nada difícil. O difícil mesmo era falar com os alunos nas telinhas escuras e sentir que eu estava passando algum conhecimento real. Difícil era não sentar do lado, rabiscar o rafe, encontrar o olhar que te diz tanto sobre a tua aula...

Mais que os comandos, eu precisava ajustar tudo: como sempre tive uma tendência a ser expositiva, tinha uma dinâmica muito prática para cada aula presencial...e elas se foram por água abaixo. Além disso, havia um milhão de dúvidas a respeito das aulas gravadas, da minha imagem, dos exercícios e feedbacks, das aulas em conjunto com outros professores, do mercado, da dinâmica...


E foi aí que experimentei uma grande conexão com os meus colegas professores. Todos eles, aqueles bem próximos, que faziam reunião pelo Zoom e falavam de suas preocupações e acertos, mas também aqueles que me davam cursos. Depois veio a pesquisa do Grupo IEP e só pelas questões apresentadas, percebi que mapeavam as mesmas angústias que eu sentia. Teve ainda as técnicas que eu observei e “copiei” das professoras de Ensino Fundamental (e do cursinho de inglês), durante as aulas on-line das minhas filhas. Por exemplo: solicitar coisas específicas do ambiente local – informações, características e objetos – para pequenas intervenções que exigem participação ativa.


Outras questões foram se resolvendo com o tempo: o arquivamento de aulas gravadas durou só até lotar o espaço em nuvem da escola; os exercícios e dinâmicas práticas foram adaptados um por um, semana por semana, com perdas e ganhos. Também alguns alunos, mediados pela tela, sentiam-se encorajados a falar, passando suas dificuldades, cobrando detalhes dos feedbacks (dados por escrito), sugerindo dinâmicas.Atendi individualmente e fora de horário muito mais do que antes. Mantive uma comunicação exaustiva pelos canais da escola. Troquei o improviso pela organização prévia. E repeti muitas vezes as mesmas solicitações.


Imagem publicada no Pixabay, e remete a metáfora para “além da tela”.


Uma coisa que se mostrou positiva foi usar de extrema honestidade: durante o semestre mostrei-me como uma aprendiz do sistema de ensino remoto, solicitando que os alunos me ajudassem a passar de forma eficiente o conteúdo – tanto em técnica quanto em didática. Pedi e recebi mais retornos do que em qualquer outro semestre. Reconheci e verbalizei, sempre que necessário, que não estávamos em condições ideais ou desejáveis, mas as possíveis para aquele momento.


No final do semestre as turmas (4º e 5º períodos) tinham que entregar campanhas feitas de modo interdisciplinar – Redação, Direção de Arte, Foto e Vídeo. Os trabalhos apresentados foram de alta qualidade e defendidos com argumentos teóricos e criativos. Não houve perda de qualidade/criatividade ou qualquer outro recurso para os alunos presentes nas aulas e orientados pelos professores. A distância física, nesse quesito, parece não ter feito diferença. Talvez tenha havido mais dificuldades, mais “refações”, mais fracionamento de tarefas entre os grupos, contudo o resultado foi muito bom. Mais do que isso, foi surpreendente, levando em conta a excepcionalidade do semestre.


Teve quem não falou, quem rodou por falta, por nota, quem só entregou o mediano. Mas que semestre que não tem isso, não é mesmo? Então, de modo honesto, em termos de resultados quantitativos, qualitativos e criativos, o semestre não foi melhor ou pior do que os outros.


Se eu gostaria de repetir a experiência? Não. É muito difícil trocar uma vivência de mais de 15 anos pela de um semestre. Mas se eu acho que é possível ensinar Redação Publicitária de modo remoto? Sim, hoje eu acho que é. E desta vez eu estaria mais preparada, pois além de ensinar, aprendi a distância.

Cátia Schuh Weizenmann, redatora publicitária e professora de Redação Publicitária na ESPM Sul. E-mail: catiaschuhw@gmail.com

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